O que a operação Carne Fraca pode nos ensinar sobre a embalagem de alimentos?

Se no dia a dia do brasileiro a carne é um alimento que não pode faltar no prato, no mês de março não faltou assunto sobre ela. A operação Carne Fraca, da Polícia Federal, tomou conta do noticiário e da internet, transformando o alimento em motivo de preocupação e piadas como a da imagem abaixo, relacionando a carne comercializada no Brasil ao papelão.

A história do papelão na carne surgiu de um grande mal entendido. Em uma das ligações grampeadas pela Polícia Federal e citada no relatório da operação, funcionários do conglomerado alimentício BRF comentam sobre o uso de papelão em uma das áreas de produção de salsichas. Mas na gravação não fica claro que o papelão foi usado na fabricação do embutido. Consultado pelo jornal Zero Hora, o médico veterinário e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Roberto Roça, acredita que a menção ao papelão se referia a embalagem. “O papelão provavelmente foi usado como embalagem secundária, sendo a primária o plástico. Não tem nenhum jeito de colocar papelão no alimento”, afirmou.

A explicação do especialista faz sentido. Na indústria da carne o papelão é considerado uma embalagem secundária porque pode soltar partículas e contaminar a carne. Assim, o plástico é a embalagem preferencial para contato direto com o alimento, e isso é perceptível no nosso dia a dia. Observe a sessão de congelados no supermercado: hambúrgueres e nuggets, por exemplo, nunca estão em contato direto com a caixa de papelão, pois são embalados primeiramente em plástico. No açougue o plástico reina também, tanto nas peças à vácuo quanto no saquinho usado para embalar as porções vendidas no balcão. Sem falar nas práticas bandejinhas de isopor cobertas com plástico-filme, ideais para quem quer comprar a carne em um corte específico.

Embalar a carne com plástico é útil não apenas para indústrias, açougues e supermercados, mas para qualquer pessoa que deseje conservar o alimento em casa. Para isso, além de ter um bom plástico-filme, que proteja de verdade os alimentos, é preciso ter alguns cuidados:

  • Cada corte de carne tem um tempo próprio de congelamento: 8 meses para peças inteiras, 6 meses para peças fracionadas (cubos, bifes etc) e 3 meses para a carne moída;
  • Peças muito grandes são mais difíceis de congelar. Por isso facilite seu dia a dia congelando porções suficientes para serem usadas de uma vez, porque depois de descongelada a carne não deve ser congelada novamente.
  • O preparo da carne pré-congelamento também é importante: não precisa lavar nem temperar, basta apenas remover os excessos de gordura e fracionar.
  • A embalagem é fundamental: antes de levar ao congelador use plástico-filme para enrolar a carne ou coloque-a em sacos plásticos próprios para alimentos.

Uma última dica, mas não menos importante, é não congelar a carne na bandeja de isopor que vem do supermercado/açougue. Isso porque o isopor é um isolante térmico que ajuda a manter a carne na temperatura fria durante o transporte para a sua casa. Então se você colocar ele direto no congelador ou freezer, a peça não ficará congelada por igual.

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